Belerofonte, o herói que desafiou o poder dos deuses



A história de Belerofonte começa com um trágico acidente. Durante uma caçada ao entardecer, ele prepara seu arco para acertar o que acredita ser um cervo, mas sua flecha atinge um homem: seu próprio irmão, Beleros. A culpa o destrói imediatamente, pois sabe que quem mata um parente é condenado pelos homens e amaldiçoado pelos deuses. A partir desse momento, abandona seu antigo nome, Hiponoos, e passa a ser chamado de Belerofonte, “o assassino de Beleros”.



Belerofonte decide buscar abrigo com o rei Proeto, em Tirinto, conhecido por sua hospitalidade. Proeto o acolhe em seu palácio e o apresenta à corte, incluindo sua esposa, a rainha Estenebeia. Porém, a convivência desperta uma perigosa paixão na rainha. Em uma noite, ela invade o quarto de Belerofonte e tenta seduzi-lo, mas ele recusa a traição contra o rei que o protege. Humilhada, Estenebeia o acusa falsamente de tentar violentá-la. Proeto, incapaz de matá-lo por respeito às leis sagradas da hospitalidade, envia-o à Lícia, levando consigo uma carta que pedia sua execução.



Na Lícia, o rei Iobates o recebe com festas durante nove dias, sem saber da mensagem que ele carrega. Apenas no décimo dia lê o pedido de Proeto e se vê em dilema semelhante: não pode matar um hóspede, mas precisa obedecer ao genro. Assim, decide enviá-lo a uma missão mortal: destruir a Quimera, criatura aterrorizante com corpo de leão, cabeça de cabra que cospe fogo e cauda de serpente. Para Belerofonte, a missão parece ser a chance de provar seu valor heroico.



Sabendo que não poderia vencer a Quimera sozinho, Belerofonte busca ajuda divina. A deusa Atena aparece em sonho e lhe entrega um freio de ouro capaz de domar Pégaso, o cavalo alado nascido das águas e filho de Poseidon. Com o presente divino, ele encontra Pégaso na fonte de Pirene e o doma. Montado na criatura alada, Belerofonte sobrevoa a Quimera e, após perceber que suas flechas não funcionam, derrota o monstro ao usar uma lança com ponta de chumbo, que derrete com o fogo da criatura e a mata por dentro.



Mesmo após esse feito extraordinário, Iobates continua tentando eliminá-lo. Envia então Belerofonte para lutar contra os Solimos, um povo feroz, e depois contra as Amazonas, guerreiras lendárias. Com Pégaso, o herói vence todas as batalhas. Por fim, Iobates manda seus melhores soldados matá-lo, mas todos são derrotados. Impressionado e convencido de que o jovem só poderia ser filho de um deus, Iobates reconhece sua inocência, oferece a ele sua filha em casamento e o nomeia seu sucessor.



A fama de Belerofonte se espalha por toda a Grécia, e muitos acreditam que ele seja realmente filho de Poseidon. O herói, porém, começa a desprezar essa ideia. Orgulhoso de suas vitórias, passa a negar o auxílio divino e proclama que os deuses nada têm a ver com seu sucesso. Seu orgulho cresce tanto que ele destrói um templo de Poseidon e afirma ser tão grande quanto os olímpicos.



Consumido pela arrogância, Belerofonte decide que merece um lugar entre os deuses e monta Pégaso rumo ao Olimpo. Zeus, irritado com sua insolência, envia um raio que assusta Pégaso e o derruba. Belerofonte cai de uma altura mortal, mas Zeus o poupa para que sofra as consequências.



Cego, ferido e abandonado, o herói vagueia sem destino até desaparecer completamente da história. Belerofonte, que buscava ser lembrado como um herói, torna-se um exemplo trágico de como a ambição desmedida e o orgulho podem destruir até mesmo o mais valoroso dos mortais.