O Tártaro é apresentado como o ponto mais profundo e sombrio do mundo subterrâneo, considerado a prisão dos deuses vencidos, dos heróis condenados e dos maiores criminosos da mitologia. Antes de ser uma região, porém, o Tártaro era uma divindade nascida do caos primordial, lançada por Gaia para o interior da Terra e transformada em um abismo sem retorno. Sob o domínio de Hades, esse local abriga os seres derrotados por Zeus.
Entre os condenados do Tártaro estão os Titãs e os Gigantes, que, confiantes em sua força descomunal, ousaram desafiar Zeus e pagarão eternamente por essa rebeldia. Contudo, deuses e monstros não são os únicos presentes ali. Alguns mortais também foram enviados ao Tártaro por sua arrogância diante dos deuses, como o famoso Sísifo, conhecido por sua astúcia e sua capacidade de enganar homens e divindades. Fundador de Corinto, Sísifo era visto como alguém talentoso, mas extremamente traiçoeiro.
A história de Sísifo envolve diversos delitos. Ele desmascara o ladrão Autólico, filho de Hermes, ao marcar secretamente seus animais para provar o roubo. No mesmo período, comete um crime ainda mais grave ao violentar Anticleia, filha de Autólico, levantando a dúvida sobre quem seria o verdadeiro pai de Ulisses. Além disso, Sísifo trai Zeus ao revelar ao deus-rio Asopo que o próprio soberano dos deuses havia raptado sua filha Egina, em troca de uma fonte para irrigar Corinto.
Zeus, indignado com tamanha insolência, envia Tânato, a Morte, para capturá-lo. Sísifo, porém, consegue enganar a divindade e a aprisiona, gerando caos na Terra, já que ninguém mais morria. Para restabelecer a ordem, Zeus o condena ao Tártaro, mas Sísifo ainda engana Perséfone, obtendo permissão para retornar à Terra sob o pretexto de corrigir sua falta de sepultamento. Após quebrar novamente sua promessa, é finalmente arrastado ao abismo e recebe seu castigo: empurrar eternamente uma enorme pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta.
Outro condenado célebre do Tártaro é Tântalo, filho de Zeus. Apesar de favorecido pelos deuses e até mesmo admitido em seus banquetes, ele traiu a confiança divina ao roubar néctar e ambrosia e, posteriormente, cometer o ato mais terrível: assassinou e serviu seu próprio filho, Pélops, como refeição aos deuses. Em resposta, Zeus o puniu com uma sede e fome eternas. Embora cercado de água e frutos, cada tentativa de saciar-se é frustrada. A água recua e o vento afasta os alimentos.
Ixíon é mais um dos grandes pecadores aprisionados no Tártaro. Após assassinar o próprio sogro, ele foi rejeitado por todos os deuses, exceto por Zeus, que o purificou e o acolheu. Em vez de gratidão, Ixíon tentou seduzir Hera, esposa de Zeus. Para desmascará-lo, o deus criou uma nuvem com a forma da rainha, que Ixíon tomou como real. Dessa união ilusória, surgiu a raça dos centauros. Zeus o condenou a ser preso eternamente a uma roda em chamas, girando sem parar.
As histórias de Sísifo, Tântalo e Ixíon ilustram a convicção equivocada de mortais que acreditaram poder desafiar os deuses sem sofrer punição. No Tártaro, cada um deles enfrenta um castigo eterno que simboliza a consequência de sua arrogância, reafirmando a autoridade divina e a impossibilidade de escapar à justiça dos deuses do Olimpo.


