Zeus elaborou um plano para se aproximar de Alcmena. Para isso, ordenou que Hélio apagasse sua luz, que Hermes acelerasse o curso da lua e que o deus do sono colocasse toda a humanidade em descanso profundo. Disfarçado de Anfitrião, marido de Alcmena, Zeus entrou em seus aposentos e a seduziu, estendendo a noite por três vezes sua duração normal. Assim que Zeus retornou ao Olimpo, o verdadeiro Anfitrião voltou para casa e, confuso com o comportamento da esposa, buscou respostas com o adivinho Tirésias, que revelou a verdade: Zeus era o responsável pela visita e pela concepção de Héracles.
Quando Alcmena se aproximava do parto, Zeus demonstrava grande expectativa pelo nascimento do filho. Ele já havia escolhido o nome Héracles, esperando agradar Hera ao homenageá-la. No entanto, Hera reagiu de forma inesperada: exigiu que Zeus jurasse que o primeiro descendente de Perseu a nascer seria rei. Em seguida, foi a Argos e provocou o parto prematuro de Euristeu, garantindo que ele, e não Héracles, tivesse direito ao trono. Furiosa por ter sido enganada, Hera ainda enviou duas serpentes para matar o bebê Héracles, mas o recém-nascido revelou força extraordinária ao estrangulá-las.
Héracles cresceu forte e recebeu educação dos melhores mestres, embora seu temperamento fosse difícil de controlar. Certa vez, em um acesso de fúria, matou seu instrutor de música. Mesmo assim, Alcmena e Anfitrião continuaram a criá-lo, e, com o tempo, o enviaram ao campo para cuidar dos rebanhos. Na juventude, recebeu armas de Apolo e, aos 18 anos, deixou o campo para realizar feitos heroicos. Logo conquistou Tebas ao derrotar bandidos que aterrorizavam a cidade e casou-se com Mégara, com quem teve vários filhos.
Hera, porém, não havia desistido de destruir Héracles. Em um momento de tranquilidade familiar, ela lançou sobre ele um ataque de loucura. Descontrolado por terríveis visões, Héracles matou os próprios filhos sem perceber o que fazia. Quando recuperou a razão, caiu em profundo desespero e buscou purificação no oráculo de Delfos. A resposta que recebeu foi cruel: deveria servir Euristeu, seu primo e rei de Micenas, e obedecer-lhe sem questionamentos. Assim poderia expiar seu crime.
Euristeu, influenciado por Hera, determinou que Héracles realizasse doze trabalhos impossíveis. O primeiro foi derrotar o Leão de Neméia, cuja pele era impenetrável. Héracles o matou com as próprias mãos e usou sua pele como armadura. Em seguida, enfrentou a Hidra de Lerna, criatura com múltiplas cabeças que se regeneravam. Com a ajuda de Atena e de fogo, impediu que as cabeças renascessem e impregnaram suas flechas com o veneno do monstro. Esses trabalhos foram seguidos por outros desafios igualmente extremos, envolvendo criaturas selvagens, monstros, povos hostis e territórios desconhecidos.
Entre os feitos mais notáveis de Héracles estão a captura do javali de Erimanto, a expulsão dos pássaros do lago Estínfalo, a limpeza dos estábulos de Áugias em um só dia e a conquista do rebanho do gigante Gérion. Também enfrentou as Amazonas para obter o cinto de Hipólita e buscou os pomos de ouro do jardim das Hespérides. Sua tarefa mais temida, porém, foi descer ao mundo dos mortos para capturar Cérbero, o cão de três cabeças que guardava o submundo. Hades permitiu a captura com a condição de que Héracles não usasse armas, e o herói cumpriu o desafio.
Purificado após completar os doze trabalhos, Héracles continuou vivendo novas aventuras. Mais tarde, casou-se com Dejanira. Durante uma travessia de rio, o centauro Nesso tentou violentá-la e foi morto por uma flecha envenenada de Héracles. Em vingança final, Nesso, agonizante, enganou Dejanira e fez com que ela guardasse uma túnica impregnada de seu sangue envenenado, dizendo que garantiria o amor do marido. Enganada, Dejanira entregou a túnica a Héracles, que, ao vesti-la, foi consumido por dores terríveis e queimaduras irreversíveis.
Incapaz de remover a túnica sem arrancar a própria pele, Héracles compreendeu que havia sido vítima de uma armadilha mortal. Hera impediu que Zeus interferisse, pois a lei do destino deveria se cumprir. Ao morrer, porém, o herói recebeu uma última honra: Zeus lançou uma tempestade divina que o elevou ao Olimpo, onde passou a viver entre os deuses, imortalizado por seus feitos.


