A jornada de Édipo rumo ao cumprimento da profecia



As pessoas de Tebas nunca esqueceram a tragédia que marcou sua história, pois nenhuma outra foi tão devastadora. Essa é a história de Édipo. Após a morte do rei Labdaco II, seu filho Laios ainda era um bebê, e, durante sua minoridade, dois impostores tomaram o trono. Laios foi levado para o reino de Pélops, onde cresceu durante dezoito anos. Lá, tornou-se tutor de Crisipo, filho de Pélops, por quem acabou se apaixonando de forma doentia. Rejeitado, Laios abusou do jovem, violando leis sagradas e traindo a confiança de seu anfitrião. Desesperado, Crisipo tirou a própria vida, e Pélops lançou uma maldição sobre Laios e todos os seus descendentes.



Aterrorizado, Laios fugiu e voltou para Tebas, onde recuperou o trono e se casou com Jocasta. Porém, por anos, o casal não teve filhos, e o povo começou a comentar. Laios consultou o Oráculo de Delfos, que o advertiu a nunca gerar um filho, pois este seria seu assassino. Amedrontado, ele tentou evitar a profecia, mas um dia sucumbiu ao desejo e engravidou Jocasta. Quando o bebê nasceu, Laios entrou em pânico e ordenou que um pastor abandonasse a criança no Monte Citerão, com os pés perfurados, para que morresse.



O pastor, porém, não teve coragem de cumprir a ordem. Ao encontrar um viajante de Corinto, pediu-lhe que levasse a criança. O homem entregou o bebê ao rei Pólibo e à rainha Mérope, que, sem filhos, adotaram o menino e lhe deram o nome de Édipo. Ele cresceu amado, mas, já adolescente, ouviu durante um banquete que era apenas um “filho encontrado”. Angustiado, procurou seus pais adotivos, que evitaram a verdade. Decidido a descobrir sua origem, Édipo consultou o oráculo, mas, em vez de respostas, recebeu uma terrível profecia: mataria seu pai e se casaria com sua mãe. Desesperado, fugiu de Corinto para não realizar tal destino.



Na fuga, Édipo encontrou, em um cruzamento, um homem mais velho que o insultou e o atacou. Em legítima defesa, Édipo o matou sem saber que era Laios. Seguiu viagem até Tebas, cidade aterrorizada por uma Esfinge que devorava todos os que não respondessem ao seu enigma. Édipo decifrou a charada, o monstro se destruiu, e o povo, agradecido, ofereceu-lhe o trono e a mão da rainha Jocasta. Sem saber, ele se casava com a própria mãe. O casal teve quatro filhos: Etéocles, Polinices, Antígona e Ismene.



Anos depois, uma peste devastou Tebas. O oráculo revelou que o mal só cessaria quando o assassino de Laios fosse expulso da cidade. Determinado a salvar seu povo, Édipo iniciou uma investigação. Consultou Tirésias, interrogou cidadãos e reuniu pistas até que um mensageiro de Corinto chegou para anunciar a morte de Pólibo. Ele também revelou que Édipo não era filho biológico dos soberanos coríntios. Logo depois, surgiu o pastor que havia recebido o bebê ferido no passado, revelando toda a verdade: Édipo era filho de Laios e Jocasta.



Jocasta, ao perceber o horror da revelação, tirou a própria vida. Édipo, dilacerado, arrancou os broches do vestido dela e cegou a si mesmo, incapaz de continuar vendo seu mundo arruinado. Depois, exilou-se de Tebas, guiado por Antígona, transformado em um pária que vagava sem destino. Sua vida tornara-se símbolo da força implacável do destino.



A tragédia de Édipo levanta uma questão essencial: ele seria culpado? Matou o pai sem saber quem ele era e casou-se com a mãe sem consciência de sua identidade. Tentou evitar a profecia, mas cada passo o conduziu exatamente ao que temia. Quanto mais lutou contra o destino, mais profundamente foi destruído por ele. Assim, sua história se tornou o exemplo máximo da fragilidade humana diante das forças que não pode controlar.