A jornada de Jasão e o amor devastador de Medeia



Jasão e os argonautas finalmente avistam a terra da Cólquida após uma longa e perigosa viagem. Eles seguem em busca do Velocino de Ouro, objeto sagrado que, segundo o acordo imposto por Pelias, devolveria a Jasão o trono de Iolco caso fosse recuperado. Ao chegar, Jasão dirige-se ao rei Aetes, guardião do Velocino, na esperança de obtê-lo pela via diplomática. Entretanto, Aetes, cruel e ardiloso, impõe ao herói três tarefas impossíveis, entre elas domar touros que cospem fogo e semear dentes de dragão dos quais nasceriam guerreiros hostis.



Enquanto Jasão se desespera, Hera e Atena decidem ajudá-lo e pedem a Eros que faça Medeia, filha de Aetes e poderosa feiticeira, apaixonar-se por ele. Tomada por essa paixão, Medeia oferece ao herói um unguento capaz de protegê-lo do fogo e uma pedra mágica que faria os guerreiros lutar entre si. Com essa ajuda, Jasão supera todas as provas impostas pelo rei, mas Aetes, furioso, nega entregar o Velocino e ameaça matar os argonautas.



Medeia então decide ajudar Jasão a roubar o Velocino. Ela adormece o dragão que o guardava com encantamentos e substâncias narcóticas, permitindo que o herói o retire da árvore sagrada. Iniciada a fuga, o exército de Aetes os alcança. Em desespero, Medeia mata e retalha seu próprio irmão, espalhando os pedaços no mar para obrigar o pai a parar e recolher o corpo. Assim, os argonautas escapam e deixam a Cólquida para trás.



Zeus se indigna com o crime e ordena que Jasão e Medeia sejam purificados. Os dois viajam até a ilha de Circe, tia de Medeia, que realiza o ritual de purificação, mas os expulsa, horrorizada. Mais tarde, perseguidos novamente por Aetes, Jasão e Medeia se casam, garantindo que o rei já não reivindicará a filha. Eles finalmente retornam a Iolco, onde Jasão descobre que Pelias matou sua família. Desejando vingança, Medeia engana as filhas de Pelias e as faz matar o próprio pai acreditando que o rejuvenescem.



Expulsos de Iolco, Jasão e Medeia vivem por anos em Corinto, onde têm dois filhos. Aparentemente felizes, veem sua paz ruir quando o rei Creonte propõe a Jasão que se case com sua filha Creúsa. Ambicioso, ele aceita, rejeitando Medeia. Humilhada, ela pede apenas mais um dia na cidade e planeja uma vingança terrível. Envia a Creúsa um vestido enfeitiçado que a consome em chamas assim que ela o veste, matando também Creonte que tenta salvá-la.



A vingança não termina aí. Tomada por desespero, ciúme e dor, Medeia leva seus dois filhos ao templo de Hera e, em um ato extremo, assassina ambos para ferir Jasão de maneira irreparável. O herói, destruído, perde tudo o que conquistou e termina seus dias sozinho, consumido pelo remorso e pela memória de seus feitos e tragédias. Morre de forma silenciosa quando parte do navio Argo desaba sobre ele.



Quanto a Medeia, seu destino permanece incerto. Algumas versões dizem que ela foi para Atenas e causou a ruína do rei Egeu. Outras afirmam que os deuses a levaram aos Campos Elísios, onde teria se unido a Aquiles. Independentemente da versão, Medeia permanece símbolo da mulher estrangeira, traída e levada a extremos pela paixão e pela dor, capaz de atos grandiosos e terríveis.