Dez anos após o fim da Guerra de Troia, a antiga cidade, antes considerada invencível, encontrava-se completamente destruída. O rei Príamo foi morto juntamente com seus filhos, entre eles Heitor e Páris, além de inúmeros príncipes, soldados, mulheres, crianças e idosos. Os gregos cumpriram a promessa feita ao seu líder, Agamêmnon, e arrasaram a cidade sem deixar sobreviventes. Os heróis que sobreviveram ao conflito retornaram às suas terras, mas a guerra deixou profundas marcas entre os homens, que passaram a agir com orgulho e arrogância, como se fossem semelhantes aos próprios deuses.
Do alto do Olimpo, Zeus observava essa transformação. A vitória dos gregos provocou desequilíbrios tanto entre os mortais quanto entre as divindades. Muitos heróis, antes devotos, passaram a agir com excessiva confiança em seu próprio poder. Agamêmnon, rei de Micenas e líder da coalizão grega, tornou-se o exemplo maior dessa soberba. Seu irmão Menelau chegou a acusá-lo de cometer o grave pecado da desmedida. No entanto, o próprio Menelau também se deixou levar pelo orgulho de suas conquistas, esquecendo que a vitória havia dependido da vontade divina.
Entre os deuses, a discórdia também se instalou. Divindades que haviam apoiado os troianos, como Afrodite, Apolo e Ártemis, afastaram-se do Olimpo após a queda da cidade. Ares, deus da guerra, retirou-se depois de entrar em conflito com Atena e jurou não retornar enquanto Zeus não punisse sua irmã. Hera, esposa de Zeus, também foi afastada por ele, acusada de provocar intrigas entre os deuses. Assim, o Olimpo tornou-se um lugar dividido e quase vazio, marcado por rivalidades e ressentimentos.
Outros deuses passaram a contestar a autoridade de Zeus. Poseidon afastou-se de seu palácio marinho, enquanto Hades, senhor do mundo dos mortos, desafiou abertamente o irmão. Segundo ele, após a guerra, o reino dos mortos tornara-se mais populoso do que o dos vivos, aumentando seu poder. Ao lado de Hades estavam Perséfone e Deméter. Hefesto preferia permanecer em sua forja na ilha de Lemnos, distante das disputas divinas. Restavam próximos a Zeus apenas Atena e Hermes. Atena acreditava que, entre os mortais, havia um homem digno de atenção especial: o astuto rei de Ítaca, Ulisses.
Enquanto isso, em Ítaca, a ausência de Ulisses já durava quase vinte anos. Sua esposa, Penélope, enfrentava a pressão de numerosos pretendentes que acreditavam na morte do rei e desejavam tomar seu lugar. Esses homens, nobres da região, ocupavam o palácio, consumiam as riquezas da família e exigiam que Penélope escolhesse um novo marido. Ela, porém, mantinha-se firme, vivendo em constante tristeza e aguardando o retorno do esposo. Seu filho, Telêmaco, já adulto, cresceu sem conhecer o pai.
Nesse cenário surge Mentor, antigo conselheiro de Ulisses e preceptor de Telêmaco. Ele aconselha o jovem a agir com coragem e a buscar notícias do pai. Segundo Mentor, Telêmaco deveria viajar até Esparta e procurar o rei Menelau, um dos poucos heróis gregos que retornaram da guerra. A decisão surpreende os pretendentes, que zombam da iniciativa do jovem e tentam impedi-lo de partir. Ainda assim, Telêmaco decide seguir em frente e preparar a viagem.
Durante a noite, enquanto o palácio dorme, Penélope é tomada pela angústia de possivelmente perder também o filho. Ao amanhecer, Telêmaco embarca em um navio preparado por Mentor. O que ele não sabe é que, sob a aparência do velho conselheiro, encontra-se a deusa Atena, determinada a protegê-lo em sua jornada. Ao chegar a Esparta, Telêmaco encontra Menelau, que o recebe com hospitalidade, embora ainda carregue lembranças dolorosas da guerra.
Menelau relata então parte dos acontecimentos após a queda de Troia. Ele conta que muitos heróis gregos tiveram destinos trágicos e que o próprio Agamêmnon foi assassinado ao retornar para casa, vítima de uma conspiração envolvendo sua esposa Clitemnestra e Egisto. Segundo o deus marinho Proteu, consultado por Menelau durante sua viagem, outro dos líderes gregos não havia morrido, mas permanecia prisioneiro em terras distantes. Ao ouvir essa revelação, Telêmaco compreende que o homem cativo só pode ser seu pai, Ulisses, alimentando assim a esperança de que ele ainda esteja vivo.


