Penélope engana pretendentes enquanto aguarda Ulisses



Após deixarem a ilha de Éolo, o senhor dos ventos, Ulisses e seus companheiros continuam vagando pelo mar sem rumo. O grupo enfrenta constantes tempestades provocadas por Poseidon, que deseja vingar seu filho, o ciclope Polifemo, ferido por Ulisses. Enquanto isso, em Ítaca, o trono do rei permanece vazio. Muitos heróis já retornaram da Guerra de Troia, como Menelau e Nestor, mas outros tiveram destinos trágicos. Agamêmnon, por exemplo, foi assassinado ao voltar para casa por sua esposa Clitemnestra e por Egisto. Em Ítaca, porém, Penélope ainda não sabe dessas notícias e continua esperando o retorno de seu marido.



Apesar dos rumores de que Ulisses teria morrido durante a viagem de volta, Penélope mantém a esperança. No entanto, diversos jovens nobres de Ítaca e de ilhas vizinhas passaram a frequentar o palácio e a pressioná-la para que escolha um novo marido. Esses homens, conhecidos como pretendentes, passam os dias festejando, consumindo as riquezas do palácio e disputando entre si a possibilidade de se casar com a rainha e assumir o poder da ilha.



Telêmaco, filho de Ulisses, ainda muito jovem, observa com indignação o comportamento dos pretendentes. Ele percebe que aqueles homens abusam da hospitalidade e desperdiçam os bens de sua família, acreditando que Ulisses nunca mais voltará. Embora ainda não tenha força para enfrentá-los, Telêmaco espera que, quando crescer, conseguirá expulsá-los do palácio e restaurar a ordem em Ítaca.



Para resistir à pressão dos pretendentes, Penélope cria uma estratégia engenhosa. Ela promete escolher um marido apenas depois de terminar de tecer um grande manto funerário para Laertes, pai de Ulisses, já idoso e afastado da vida do palácio. Durante o dia, Penélope trabalha no tecido diante de todos, mas à noite desfaz secretamente o que produziu, prolongando indefinidamente a tarefa e adiando a decisão sobre um novo casamento.



Enquanto isso, Ulisses e seus companheiros chegam a uma ilha desconhecida. O herói decide enviar um grupo de homens para explorar o local e procurar alimento. Eurylochos lidera a expedição, acompanhado de alguns marinheiros. Ao entrarem em uma grande casa no meio da floresta, eles encontram uma mulher de extraordinária beleza chamada Circe, que os recebe com hospitalidade e lhes oferece vinho.



Sem saber que se trata de uma poderosa feiticeira, os marinheiros bebem a bebida preparada por Circe. Em seguida, ela pronuncia encantamentos e transforma os homens em porcos, aprisionando-os em um cercado. Apenas Eurylochos consegue escapar e retorna ao navio para contar a Ulisses o que aconteceu.



Determinado a salvar seus companheiros, Ulisses parte sozinho em direção à casa de Circe. No caminho, encontra o deus Hermes disfarçado de jovem pastor. Hermes lhe entrega uma erva mágica capaz de protegê-lo dos feitiços da feiticeira e explica como agir para obrigá-la a libertar os homens transformados.



Ulisses segue as instruções do deus. Ao chegar à casa, ele bebe a poção oferecida por Circe, mas não é afetado pelo encantamento. Surpresa, a feiticeira é obrigada a reconhecer sua força e promete não lhe fazer mal. Após jurar pelos deuses, ela devolve aos companheiros de Ulisses a forma humana e os convida a permanecer em seu palácio, oferecendo abrigo e hospitalidade após tantas provações.