Atena convence Zeus a permitir a volta de Ulisses para Ítaca



Durante sete anos, Ulisses viveu na ilha da ninfa Calipso, filha do titã Atlas. Nesse período, permaneceu afastado de sua terra natal, Ítaca, e de sua família. Embora Calipso lhe oferecesse conforto, beleza e abundância, o herói não conseguia esquecer sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco. A saudade dominava seus pensamentos, e muitas vezes ele passava horas observando o mar, tomado pela nostalgia e pelo desejo de retornar para casa.



No Olimpo, os deuses também discutiam o destino do herói. A deusa Atena, protetora de Ulisses, intercedeu junto a Zeus para que ele fosse libertado. Ao mesmo tempo, outros deuses, como Poseidon e Hélio, continuavam irritados com o herói e desejavam vingança. Zeus, preocupado com possíveis conflitos entre os deuses e com o destino de Ulisses, acabou aceitando o pedido de Atena e decidiu permitir que o herói retomasse sua viagem de volta para casa.



Para cumprir a decisão, Zeus enviou o mensageiro divino Hermes à ilha de Calipso. O deus transmitiu a ordem de que Ulisses deveria ser libertado imediatamente. A ninfa recebeu a notícia com tristeza, pois amava o herói e desejava torná-lo imortal para que permanecesse ao seu lado para sempre. Mesmo se sentindo injustiçada, ela aceitou obedecer à vontade do rei dos deuses.



Calipso então informou Ulisses sobre a decisão divina e lhe ofereceu uma escolha. Ele poderia permanecer na ilha, vivendo ao seu lado em conforto eterno, ou partir para enfrentar novamente os perigos do mar em busca de sua pátria. Apesar das dificuldades que o aguardavam, Ulisses decidiu voltar para Ítaca. Mesmo com o coração entristecido, Calipso ajudou o herói a construir uma embarcação para que pudesse continuar sua jornada.



Após alguns dias de trabalho, Ulisses partiu sozinho pelo mar. Durante dezessete dias navegou tranquilamente, aproximando-se da terra dos feácios. No entanto, ao perceber sua presença, Poseidon provocou uma violenta tempestade. A embarcação foi destruída pelas ondas, e o herói lutou durante dois dias contra o mar até finalmente conseguir alcançar a costa de uma ilha desconhecida, completamente exausto.



Ali, Ulisses foi encontrado pela princesa Nausícaa, filha do rei Alcino, governante do povo feácio. Seguindo o sagrado dever da hospitalidade, ela ordenou que suas servas ajudassem o náufrago, oferecendo banho, roupas e alimento. Em seguida, conduziu o herói até o palácio de seus pais para que recebesse abrigo e auxílio.



Durante um banquete no palácio, um poeta cego começou a cantar histórias da Guerra de Troia. Ao ouvir os relatos das batalhas e das mortes dos heróis gregos, Ulisses não conseguiu conter a emoção e chorou. O rei Alcino percebeu sua reação e decidiu perguntar quem era aquele estrangeiro que demonstrava tanta dor ao ouvir a narrativa da guerra.



Diante da insistência do rei, Ulisses finalmente revelou sua verdadeira identidade e contou toda a sua história. Relatou suas aventuras após a queda de Troia, incluindo encontros com monstros, tempestades e inúmeras dificuldades que lhe custaram a perda de seus companheiros. Impressionado com o relato do herói, Alcino decidiu ajudá-lo, oferecendo um navio, provisões e presentes para que finalmente pudesse retornar à sua amada terra de Ítaca.